Quando a sabedoria tradicional encontra a ciência: como duas plantas nativas do Brasil se tornaram referência no combate à inflamação
Introdução
O Brasil abriga uma das maiores biodiversidades do planeta e, com ela, uma farmacopeia natural riquíssima. Entre os tesouros da nossa flora, dois se destacam por suas propriedades anti-inflamatórias poderosas e validadas cientificamente: a copaíba (Copaifera spp.) e a erva-baleeira (Cordia verbenacea).
Enquanto a copaíba é usada há séculos por povos indígenas e tradicionais da Amazônia, a erva-baleeira despontou na fitoterapia nacional após ser estudada por instituições públicas e, posteriormente, lançada como um medicamento fitoterápico aprovado pela ANVISA. Ambas representam a união entre saberes populares e ciência moderna, abrindo caminho para terapias mais naturais, seguras e eficazes. Contudo, muitas vezes surge a dúvida: qual das duas opções usar? Justamente isso que vamos abordar nesse texto.

Fitoquímica e mecanismo de ação
Copaíba: beta-cariofileno e alfa-humuleno em sinergia + ácidos terpênicos
A oleorresina da copaíba contém majoritariamente sesquiterpenos (como o beta-cariofileno, alfa-humuleno e germacreno D) e ácidos diterpênicos, como o ácido copálico, o ácido copaíferico, o ácido hardwíckico e o ácido colavênico. Além desses, derivados do ácido copálico, como o ácido acetóxi-copálico e o ácido hidróxi-copálico, também são frequentemente relatados na literatura. Essa combinação de sesquiterpenos voláteis e ácidos terpênicos resinosos confere à copaíba uma potente ação anti-inflamatória, antimicrobiana e cicatrizante.
O beta-cariofileno, em particular, é reconhecido como agonista seletivo do receptor CB2, um importante modulador da resposta inflamatória e da dor, sem efeitos psicoativos. Estudos indicam que essa molécula também contribui para o relaxamento e possui efeitos neuromoduladores importantes (MACHADO et al., 2018).

Erva-baleeira: fitoterapia anti-inflamatória com identidade brasileira
O principal constituinte do óleo essencial da erva-baleeira é o beta-cariofileno (como no caso da copaíba) e, também, o alfa-humuleno, um sesquiterpeno com estudada e comprovada ação anti-inflamatória. Ele atua por mecanismos semelhantes aos anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), inibindo enzimas como a ciclooxigenase-2 (COX-2), além de modular citocinas pró-inflamatórias.
Fitoterapia aplicada: o caso do Acheflan®
O Acheflan®, primeiro fitoterápico 100% brasileiro com base na erva-baleeira, na verdade, no óleo essencial destilado das folhas da erva-baleeira, é um marco na história da fitoterapia nacional. Desenvolvido a partir de estudos conduzidos pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e produzido pelo laboratório Aché, o produto contém justamente o óleo essencial de Cordia verbenacea como seu princípio ativo.
Ensaios clínicos e farmacológicos demonstraram que o Acheflan® tem ação equivalente ou superior a fármacos sintéticos tópicos, como o diclofenaco dietilamônio, no tratamento de processos inflamatórios e dores musculoesqueléticas (RIBEIRO et al., 2018).

Evidências clínicas: a cicatrização como novo campo de aplicação
Além da reconhecida atividade anti-inflamatória, estudos científicos destacam que o óleo essencial de Cordia verbenacea também acelera o processo de cicatrização de feridas. A aplicação tópica da formulação contendo este ativo, conhecida comercialmente como Acheflan®, demonstrou melhora significativa na regeneração cutânea em modelo experimental com ratos. Os efeitos foram confirmados por análises histopatológicas, imunohistoquímicas e bioquímicas, mostrando redução do infiltrado inflamatório, formação mais rápida de tecido de granulação e reepitelização mais eficiente (PERINI et al., 2015).
Esses dados não apenas reforçam a versatilidade terapêutica da erva-baleeira, como também abrem caminho para sua utilização em protocolos dermatológicos e cosmecêuticos voltados à recuperação da integridade cutânea.
Segurança em uso real: fitoterápico validado na prática clínica
Ao lado dos ensaios laboratoriais e clínicos, os estudos de farmacovigilância também têm papel crucial na validação dos fitoterápicos. Uma análise recente sobre o perfil de segurança do Acheflan® com base em dados reais de uso por pacientes demonstrou baixa frequência de efeitos adversos, mesmo após aplicações repetidas. O estudo concluiu que a formulação tópica à base de Cordia verbenacea apresenta tolerabilidade clínica favorável, sendo comparável ou até superior a anti-inflamatórios tópicos sintéticos amplamente prescritos (OLIVEIRA et al., 2021).
Esse conjunto de evidências legitima o uso do óleo essencial de erva-baleeira como um agente terapêutico confiável, reunindo eficácia, segurança e origem natural — características que fazem do Acheflan® um marco na fitoterapia brasileira baseada em ciência, lembrando que seu princípio ativo estudado para os efeitos e segurança é, justamente, seu óleo essencial rico em beta-cariofileno e alfa-humuleno.

Como usar o óleo essencial de erva-baleeira? Sugestões práticas para aplicações terapêuticas
O óleo essencial de erva-baleeira (Cordia verbenacea) pode ser um recurso valioso na farmácia natural, especialmente quando buscamos alternativas seguras e eficazes para quadros inflamatórios, dores musculares ou cuidados dermatológicos. Por conter alfa-humuleno, composto com propriedades comparáveis às dos anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), sua aplicação tópica pode se assemelhar tanto à da pomada Acheflan® quanto aos efeitos da oleorresina ou do óleo essencial de copaíba em determinados contextos.
Dores musculares, lombares ou articulares
- Sugestão de uso: diluir de 3 a 5 gotas do OE de erva-baleeira em 1 colher de sopa de óleo vegetal (ex: andiroba, coco palmiste ou girassol) e aplicar massageando suavemente a região dolorida, 2 a 3 vezes ao dia.
- Dica combinada: pode ser associado ao óleo essencial ou extrato CO2 de gengibre para reforço da ação analgésica e anti-inflamatória.
Contusões, torções ou hematomas
- Sugestão de uso: aplicar a sinergia diluída imediatamente após o trauma leve. Uma boa fórmula seria:
- 3 gotas de OE de erva-baleeira
- 2 gotas de OE de lavanda-verdadeira
- 1 colher de sopa de óleo vegetal de semente de maracujá ou óleo de linhaça
- Reaplicar 2 a 3 vezes ao dia por até 5 dias.
Substituto natural da pomada Acheflan®
- Uso cosmético-funcional: incorporar o OE de erva-baleeira em cremes neutros, pomadas ou géis base (como gel neutro ou com aloe vera) na proporção de 1 a 2% para formulações tópicas:
- Para 50 g de base: 10 a 20 gotas de OE de erva-baleeira.
- Aplicar sobre a área afetada limpa e seca até 3 vezes ao dia.
Apoio à cicatrização de feridas e irritações cutâneas
- Sugestão de uso: diluir de 2 a 3 gotas do OE em 1 colher de sobremesa de óleo vegetal regenerador (como rosa-mosqueta ou jojoba) e aplicar sobre a pele com um cotonete limpo, 1 a 2 vezes ao dia.
- Pode ser útil em lesões leves, picadas ou após depilações.
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Referências
- DA TRINDADE, R.; DA SILVA, J. K.; SETZER, W. N. Copaifera of the Neotropics: A Review of the Phytochemistry and Pharmacology. International Journal of Molecular Sciences, v. 19, n. 5, p. 1511, 2018. DOI: https://doi.org/10.3390/ijms19051511.
- LEANDRO, L. M.; DE SOUSA VARGAS, F.; BARBOSA, P. C. S.; NEVES, J. K. O.; DA SILVA, J. A.; DA VEIGA-JUNIOR, V. F. Chemistry and biological activities of terpenoids from copaiba (Copaifera spp.) oleoresins. Molecules, 17(4), p. 3866–3889, 2012.
- LIMA, Milena CF de et al. Caracterização e controle de qualidade de óleos de copaíba (Copaifera sp.) utilizando detecção de marcadores por fator de retenção relativa em HPTLC. Química Nova, v. 43, n. 7, p. 878-883, 2020.
- MACHADO, K. D. C. et al. A systematic review on the neuroprotective perspectives of beta‐caryophyllene. Phytotherapy Research, 32(12), p. 2376–2388, 2018.
- OLIVEIRA, A. D. et al. Perfil de segurança de formulação anti-inflamatória tópica de Cordia verbenacea: dados de mundo real. Brazilian Journal of Health Review, v. 4, n. 6, p. 27600-27613, 2021.
- PERINI, J. A.; ANGELI-GAMBA, T.; ALESSANDRA-PERINI, J. et al. Topical application of Acheflan on rat skin injury accelerates wound healing: a histopathological, immunohistochemical and biochemical study. BMC Complementary and Alternative Medicine, 15, 203, 2015. DOI: https://doi.org/10.1186/s12906-015-0745-x.
- RIBEIRO, V. P.; ARRUDA, C.; ABD EL-SALAM, M.; BASTOS, J. K. Brazilian medicinal plants with corroborated anti-inflammatory activities: a review. Pharmaceutical Biology, v. 56, n. 1, p. 253–268, 2018. DOI: https://doi.org/10.1080/13880209.2018.1454480.







